terça-feira, 19 de maio de 2009

Fenômemo do mundo do vinho..

Dirceu Vianna Jr, é o nosso fenômeno do mundo do vinho. Com apenas 40 anos, esse paranaense de Marechal Cândido Rondon(PR) já figura entre os 275 privilegiados Máster of Wine. Único brasileiro a conseguir essa façanha, concluiu os estudos ano passado no conceituado Institute of Master of wine, na capital londrina, fundado em 1955. Chegou a cursar 2 cursos de graduação universitária, mas só encontrou seu caminho em Londres, onde graduou-se em hotelaria e começou a se interessar por enologia. Em 1977 diplomou-se pela Wine and Spirits Education Trust, ingressando, então, numa das grandes importadoras locais, a Coe Vintners. É um exemplo de garra, persistência, coragem... Tive o prazer de conhecê-lo na Expovinis, mostrando que grandes gênios são totalmente desprovidos de estrelismo. Mostrou bom humor, simplicidade, e muito conhecimento nas palestras que acompanhei. Confiram entrevista exclusiva que ele gentilmente concedeu ao Sabor das Ervas:

Sabor das Ervas :É fato que o Brasil já produz rótulos de qualidade, mas continuamos sendo cervejeiros e cachaceiros nas horas de lazer. Como o senhor vê o desconfortável consumo dos pífios 2 litros de vinho por habitante no Brasil? A média argentina é de 30 litros per capta...
Dirceu: A grande maioria dos vinhos produzidos e consumidos no Brasil são da espécie Vitis- Lambrusca e variedades hibridas. Em várias partes do mundo isso não é considerado como vinho, portanto se levarmos isso em consideração o consumo de vinhos finos no Brasil não ultrapassa 0,5 L por habitante. Vários países europeus consumem em torno de 50 L por habitante e o vinho e considerado como integrante básico das refeições. A cultura do vinho está apenas começando agora no Brasil. É uma pena que o vinho seja visto como um artigo de luxo, portanto caro demais para o alcance da maior parte da população. Entretanto eu tenho certeza que o interesse e o consumo venham a crescer bastante durante os próximos anos.

Sabor das Ervas: O que o senhor acha dos vinhos de altitude de Santa Catarina? O terroir local é mesmo um grande diferencial?
Dirceu : Os vinhos que tive oportunidade de degustar realmente demonstraram um ótimo potencial. A maioria dos vinhedos ainda são bastante novos e a qualidade vai melhorar na medida que as videiras atinjam maior idade.
Os produtores também deveriam abrir-se um pouco mais para um intercambio de conhecimentos com enólogos, consultores e críticos internacionais, pois ainda existem alguns erros técnicos que devem ser corrigidos.
Sabor das Ervas: O Nordeste vem quebrando paradigmas com suas várias safras anuais. Somos mesmo uma grande oportunidade como a primeira região vinícola tropical do mundo? Qual o futuro dos vinhos brasileiros do paralelo 8?
Dirceu : O nordeste produz vinhos comercialmente muito bem feitos e tecnicamente corretos. O trabalho feito por algumas vinícolas é admirável, entretanto devemos ser realistas, pois o clima e muito quente para tentar fazer um grande vinho. O futuro para essa região seria aceitar suas limitações climáticas e focar sua produção para vinhos do dia a dia.
Sabor das Ervas : Quais são os grandes desafios do vinho bras ileiro no mercado mundial?
Dirceu :O Brasil como país tem uma boa imagem. Consumidores associam o Brasil com praia, gente bonita, futebol, música, etc. Entretanto poucos imaginam que o Brasil produz vinho e esse e um dos maiores obstáculos. Alem disso os impostos altíssimos no Brasil dificultam a vida dos produtores, pois fica extremamente difícil competir com vinhos produzidos em outros países onde impostos e condições climáticas são mais favoráveis.
Sabor das Ervas: Que conselho o senhor daria para jovens que decidem como o senhor, abraçar desafios tão altos em suas carreiras? Qual o custo do curso de Master of Wine? Valeu a pena tamanha dedicação?
Dirceu :Não importa qual a profissão, eu acho que é importante almejar ser o melhor naquilo que a gente faz. No meu caso foi necessário muita dedicação, persistência, paciência e compreensão de todas pessoas ao meu redor tanto em casa quanto no trabalho.
O custo do curso em si não é alto, mas se adicionar livros, as viagens necessárias e compra de vinhos que devem ser degustados e analisados o custo chegou em torno de R$300.000 reais. Fora isso foram cerca de 5.000 horas de estudos e 6 árduos anos acordando de madrugada e sacrificando feriados e finais de semana.
As vezes eu me pergunto se valeu a pena mesmo, pois foi um período bastante difícil, mas olhando para a frente o esforço valeu a pena sim, principalmente para o Brasil, que tem agora um representante brasileiro no exclusivo Instituto. Para a empresa onde trabalho certamente também valeu a pena, pois na Inglaterra ter um Master of Wine serve como um selo de garantia, demonstra excelência e traz enorme benefício comercial. Pessoalmente serviu para provar para mim mesmo que eu fui capaz de superar o maior obstáculo possível na minha carreira. Para minha família serve como um seguro, pois como só existem 274 Masters of Wine no mundo, trabalho não falta. Espero que continue assim tanto para mim como para outros jovens que estão começando suas carreiras nessa indústria.

2 comentários:

Guilherme disse...

Que legal a entrevista. O moço é mesmo bom e os brasileiros deveriam conhecer mais talentos assim! Parabéns!!

Errico disse...

Afinal, um brasileiro profissional do vinho sensato.
Parabéns e continue assim.